O ENFORCADO |
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Trago nas mãos as notas de uma lira despedaçada. É a música dos loucos dedilhando saudades e sonhos perdidos. Reviro o mundo pelo avesso, pendurado sob o céu e amarrado a pedras para não despencar em queda alada. Deixo as ruinas para alcançar os corpos invisíveis de um tempo impreciso, sufocando sonhos, criando outros, num pêndulo invertido. Sendo, sou minha aparencia em pólos inconsiliáveis. Sendo, desmancho verdades e construo devires.
Bem vindo ao (des)mundo do (in)verso. |
Sábado, Dezembro 27, 2008
LÁ VAI Faz tempo não escrevo nada aqui. Deixo coisas soltas nos cadernos, em restos de papel, rascunhos. Esse ano que se foi deixou marcas em mim, de uma falta absurda de tempo para a poesia. É preciso silêncio para escrever. E vontade, e falta de medo, para gritar fora do papel. Vou me despedindo desse ano, despedindo-me de parte de mim que vai se desfazendo aos poucos. Estou indo para 2009. Lá vamos nós. L. F. Calaça Comentários: Segunda-feira, Dezembro 22, 2008
As-tu déjà aimé? Autor: Alex Beaupain Intérpretes: Grégoire Leprince-Ringuet e Louis Garrel Filme: Canções de Amor, de Christophe Honoré As-tu déjà aimé pour la beauté du geste? As-tu déjà croqué la pomme à pleine dent? Pour la saveur du fruit sa douceur et son zeste T'es tu perdu souvent? Oui j'ai déjà aimé pour la beauté du geste mais la pomme était dure. Je m'y suis cassé les dents. Ces passions immatures, ces amours indigestes m'ont écoeuré souvent Les amours qui durent font des amants exsangues, et leurs baisers trop mûrs nous pourrissent la langue Les amour passagères ont des futiles fièvres, et leur baiser trop verts nous écorchent les lèvres Car a vouloir s'aimer pour la beauté du geste, le ver dans la pomme nous glisse entre les dents. Il nous ronge le coeur, le cerveau et le reste, nous vide lentement Mais lorsqu'on ose s'aimer pour la beauté du geste, ce ver dans la pomme qui glisse entre les dents, nous embaume le coeur, le cerveau et nous laisse son parfum au dedans Les amours passagères font de futils efforts Leurs caresses ephémères nous faitguent le corps Les amours qui durent font les amants moins beaux Leurs caresses, à l'usure, ont raison de nos peaux http://br.youtube.com/watch?v=PCWROxpjir0&eurl=http://www.orkut.com.br/FavoriteVideoView.aspx?uid=11074321072108719832&ad=1229626835 Tradução: Você já Amou? Pela beleza do gesto. Você já mordeu? A maçã com todos os dentes? Pelo Sabor do fruto A sua doçura e o seu gosto. Já se perdeu algumas vezes? Sim, eu já amei Pela beleza do gesto. Mas a maçã era dura, e quebrei os dentes Essas Paixões imaturas, esses amores indigestos Deixaram-me mal disposto algumas vezes Mas os amores que duram Tornam os amantes exaustos E o beijo deles demasiado maduro, apodrece-nos a língua Os amores passageiros, têm febres fúteis E o beijo demasiado verde Esfola-nos os lábios Porque ao querer amar Pela beleza do gesto, o verme da maçã Escorrega-nos entre os dentes Ele roe-nos o coração, o cérebro e o resto Esvazia-nos lentamente Mas quando ousamos amar Pela beleza do gesto, esse verme na maçã Toca-nos o coração, o cérebro e deixa-nos O seu perfume lá dentro Os amores passageiros, fazem esforços inúteis As suas carícias efêmeras, cansa-nos o corpo Os amores que duram Tornam os amantes menos belos As suas carícias usadas Dão cabo de nós by. Nato In: http://vagalume.uol.com.br/cpaste.php?udig=6003&id=3ade68b8gba568fa3&key2=3ade68b8gba568fa3&serial=1300963068&print= Comentários: Segunda-feira, Novembro 03, 2008
DESENLACE na correnteza que arrasta minhas pernas comidas meu corpo sem tato minha voz sufocada meu grito calado meus olhos já tristes teus beijos sem doce minha boca de fel meu sexo dócil meus sábios carentes minhas armas pendendo perdendo o rumo perdendo o amor. como amar na tempestade no turbilhão do desencontro não me encontro em sua cama não me encontro em seus braços não me reconheço agora neste desenlace. poesia quando sofro e só tenho a dor em mim. prefiro perpetuar meu silêncio não gritar em vão, entre grades não suplicar por mim mesmo quando perdi meus olhos e arrastei-me à margem. esfriou-se a paixão não sei ao certo o destino de nossos mais de 365 dias de nossos meses passados quero enterrá-lo a 7 palmos quero enterrar-me contigo e apodrescer junto quero a finitude inevitável a morte do orgasmo, o descompasso. quero a hóstia miserável que é carne morta e seca e os dias paridos e as sonolências e sua indiferença e meu medo de solidão. sinto-me só, hoje, como nunca só pois contigo não mais me encontro e não sei onde me esqueci me perdi num lápso pessentimento de término desenlace. Comentários: Domingo, Setembro 07, 2008
ORAÇÃO XAMÂNICA Dança o deus índio movendo o mundo em serpente corpo em ritmo de êxtase xamã-menino, feiticeiro. Dançam os espíritos celestes em movimento das órbitas na volúpia dos corpos lunares na metáfísica dos espaços vazios. Dança a serpente suicida através dos espelhos encarnados o sangue, a carne e os espasmos pulsação de vida e morte, sincronia. Dança a estratosfera, o chão sulcado as mão arrancando gritos da Terra o amor desenfreado dos amantes o sono da criança recém saída do útero. Dança a evolução do homem, as palpitações de cada cela, ardendo adentrando as camadas finas da memória, corpo-espírito, mudando de pele. Olhos de puma alada, teu mistério é meu. (L. F. Calaça | agora). Comentários: Sábado, Agosto 30, 2008
PRIMEIRAS IMPRESSÕES SOBRE O RUINAS ALADAS: "Ao ler o livro de Calaça, um milhão de sensações explodiram dentro de mim. Uma mistura de euforia, orgulho (ao lembrar quem é o autor), inquietudes, angústias, sofrimentos, amor, dor...enfim...mergulhei naquela imensidão de palavras, letras e sentimentos, e a leitura fluiu como as águas de um rio. As frases me tocaram tanto como se pudessem entrar no meu peito e apertar com as unhas o meu coração....só Chico me fez sofrer tanto... Todas as pessoas que lerem esse livro viajarão no seu mundo de “pequenas loucuras e alucinações”. São indagações a que todos nós comungamos. Deparei-me, hoje, lendo as Ruínas Aladas de Luiz Fernando num ônibus lotado, indo a uma aula chata e com a cabeça fervendo. Foi a forma de evasão mais prazerosa que tive até hoje. Mais eficaz do que uma mesa de bar... Ainda faltam alguns contos para terminar, mas já me acho no direito de tecer minhas primeiras impressões... " (Mariza Lago) Comentários: Sexta-feira, Agosto 29, 2008
ARREMATE Escrever... Fica meio que um gosto verde na boca. Memórias, fotografias, fios de cabelo caídos. A caixa de retalhos e recortes de jornal. Pequeno relicário de 15 minutos. Ser, para quando? É impossível precisar, ser preciso. E tem a precaução do existir, meio camuflado, camaleônico. Escondendo nas verduras da cena as cicatrizes fugazes. Escrever... como quem amanhece sem retorno sem contorno, forma, verbete. Apenas num corte sutil estilete pontiagudo. Memória de amanhã. Precisando de hoje. Sempre. (L. F. Calaça | 29/08/2008) Comentários: Domingo, Agosto 10, 2008
POEMA DE AMOR A idéia é amar. Não importa de que forma. Amar não a idéia. Amar a forma. Forma sobreposta. Não amar as formas divinas, mas apenas as divinas formas possíveis. Amar a possibilidade de amar você. E pouco me importa quando. Amar apenas, quando o tempo for. E se não for, que nas correntezas. Sobre as pedras, ao relento, sereno. Amar a palavra que some em sua boca no beijo que te perpetua imensamente. Te amar simplesmente, na quentura. Que sobe, vibra e dança. L. F. Calaça (Agora). Comentários: Domingo, Fevereiro 24, 2008
PREPAREM-SE! Após longa espera o meu primeiro livro, o RUÍNAS ALADAS, está pra sair. Ainda está em fase de editoração. Essa é a primeira versão da capa que eu bolei. Provavelmente deverá sair ainda até o fim desse semestre. Quero todos os meus amigos e leitores lá, para um grande encontro poético. L. F. Calaça Comentários: Sábado, Fevereiro 23, 2008
NOSSA INTIMIDADE Nossos corpos. Não preciso mais das explosões nucleares - somos uma estrela branca. A paixão sehue seu delicado momento calmamente fluente como riacho. Amor, vamos dormir o sonho sereno mãos repousadas no coração macio, vida que vibra ritmada. Te amar é bom. (L. F. Calaça | 23/02/2008) Comentários: Terça-feira, Janeiro 22, 2008
Terça-feira, Janeiro 15, 2008
9 MESES Neste tornado, a dor e o parto redemoinho de nossos desejos sem os instrumentos cirúrgicos apenas as carícias de nós dois. Nove meses e estamos fecundados um pelo outro, semente germinada o corpo, o caule, ramificações... folhas e pêlos que se entrelaçam no muro. Somos nós, meu amor. E os livros foram o princípio que nos uniu sem intervalo apenas o momento de um abraço no cinema e a convulsão dos corpos em revoada. Somos dois iguais e diferentes na complementariedade dos rumos de idéias dissonantes que meu amor seja oceano pra sua alma e seu beijo, meu veneno feiticeiro. E assim, somos serpentes entrelaçadas no coito morno dos desertos onde suspira os sonhos no arriscado delírio de sermos um, sacralizados. (L. F. Calaça | 15/01/2008) Comentários: Segunda-feira, Dezembro 31, 2007
QUAL É O MOMENTO PARA SE COMEÇAR A TERAPIA? Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior É curioso. Todos os gestaltistas que ouvi defendem a terapia para terapeutas. Os psicanalistas também. Eu acho importante. Fundamental. Mas sempre me pergunto: Qual é o momento para se começar a terapia? Penso algumas outras coisas também: - A função da terapia é fazer com que a pessoa possa lidar de forma mais autônoma com sua própria vida. Quem já faz isso, precisa de terapia? - A terapia é indicada pra quem sobre de angústias - o “sofrimento psíquico” dos psicanalistas. As angústias existenciais, no entanto, não serão dissolvidas na terapia. Aprendemos nela a lidar melhor com as angustias, e saber nos posicionar de forma ativa, ou da melhor maneira possível, diante delas. - A terapia deve ser um lugar de acolhimento, em que a pessoa se sinta a vontade para se abrir no encontro com o outro. É um chamado para um encontro. E se a pessoa não se sentir assim, confortável? Lidar com o desconforto, trabalhar esse desconforto, se torna tema. Isso pode servir para expandir a percepção do cliente para outros momentos em que se depara com desconfortos, mas pode também virar uma tática de convencimento do terapeuta da importância de se fazer terapia. Às vezes essa figura pode ser artificial, produto do próprio contexto artificial da terapia. Talvez seja preciso se pensar se aquele é o momento certo. - “A psicoterapia se alimenta dos psicólogos, autofagicamente”. (Isso foi uma sacada que me foi mostrada por dois professores meus). Psicoterapeutas TÊM DE passar por psicoterapia. Um imperativo da profissão. Nisso vejo alguns lados da moeda, polaridades: 1) Experimentar a posição de cliente para poder compreender melhor esse lugar, e saber lidar com as angústia daquele que, no futuro, virá te procurar - eu gosto e concordo com esse argumento; 2) Um caminho complementar para o aprendizado do modo de ser terapeuta - concordo parcialmente com esse aspecto, pois é possível que aprendamos e reproduzamos alguns “maus hábitos”, por pura reprodução, quando não se tem senso crítico, impedindo a emergência de um estilo próprio - defendido tanto pela Laura Perls; 3) Uma forma de se preservar a prática da clínica indiviual, por questão de mercado e campo de atuação profissional, para que todos tenha a possibilidade de exercer a clínica - descordo completamente, vendo nisso uma posição mesquinha e anti-ética. Minha crítica é em parte resistência (por que não? também sou humano e filho de Deus. Terapia é cara pra chuchu e nem sempre é possível escolher o terapeuta com quem se acha mais confortável em função disso) e luta pela minha liberdade de escolha (meu eu sartreano se revoltando!). Sei que essas observações parecem “racionalizações” minhas. Mas também são meus insights e reflexões críticas sobre a questão. Não consigo aceitar passivamente um imperativo que remete aos tempos de Freud. Acredito veementemente em outras formas, talvez até mais criativas, de estar consigo mesmo, ampliar a awarness, posicionar-se sobre o mundo e ir em busca de saúde. A poesia, a música, a arte, a natureza, amigos, namoro, amar, fazer sexo… Todos são ou podem ser extremamente terapêuticos. A psicoterapia não é a única, nem a melhor. É algo que nem medicina halopática e homeopática, acumpuntura, massagens curativas, rituais xamânicos, candomblé, etc etc. Existe a técnica, existe o saber teórico por traz da técnica, mas os resultados são alcançados diferentemente para cada um, em seu processo individual, segundo os significados e crenças que cada um traz em sua vida. É isso! Defendo a psicoterapia. Escolhi AGORA, começar uma. Já tinha me dado conta antes, em alguns momentos de sua necessidade, mas não serei escravo dela. Preso por minha liberdade, até mesmo pela liberdade de escolher estar preso, imobilizado, em minhas angústias. Só assim creio que poderei de fato aprender a dar meus passos e escolher meus caminhos, ou abrir outros no meio da mata cerrada. Não sei… Me tornei indisciplinado e questionador. Não sei se isso é bom ou ruim. Se um dia eu vier a ser professor direi tudo isso a meus alunos. Defenderei o direito deles de escolher o momento certo, ou escolher outros caminhos. Se não fizer isso, acho que estarei sendo incoerente comigo mesmo e com o que eu acredito ser o que me move na Gestalt. __________ * Texto desenvolvido a partir de e-mail encaminhado por mim a Luciana Aguiar, quando trocamos impressões sobre o tema, em 28 de dezembro de 2007. Comentários: Domingo, Dezembro 30, 2007
FIM DE ANO EM RETROSPECTIVA Difícil me lembrar de todas das coisas que me aconteceram esse ano. O ENFORCADO não serve muito como memórial de minhas andanças, mas é minha lata de lixo de idéias e fragmentos de dias. Mas, lá vai meu pequeno sumário: Janeiro: - Minha irmã casou. Aos poucos está se encontrando com Fábio em São Paulo. Viajaram para a terra do tango. - Fui a Itacimirim, pra casa de Ana, fazer grounding na praia às 7 da manhã, ver uma tartaruga desovar... Fevereiro: - Fiz minha primeira viagem de avião, para acompanhá-la nos pós-lua de mel. Achei São Paulo uma cidade feia, mas com lindos sebos. Março: - Residencial em Praia do Forte. Momento de sair de dentro da casca de ovo. Um primeiro passo. Jogeui-me na lata do lixo e renasci. Maio: - Feira do livro... Iniciei um novo momento na minha vida. Abri um novo ciclo com perspectivas de futuro. Não estou mais só, mas precisei tomar decisões e tornar as coisas mais claras. Antecipei parte dos próximos 3 anos de minha vida, falta a outra parte. O amor em construção. Setembro: - Fiz minha segunda viagem. Rio de Janeiro. Cidade linda, rodeada por morros que cortam o horizonte em negras cores. Literatura e Gestalt. Me senti em família. Tive momentos de grande meditação e encontro comigo mesmo. A arte no papel. O mar como consolo. Outubro-Novembro. - Dor e esperança. Sentimento contraditórios e medo da perda. Minha avó se foi. Sentimos saudade. A casa está vazia sem ela. Novembro: - Conheci Luciana. Fim de semana tumultuado, mas com abertura para uma amizade a distância. Um outro encontro com o Rio. Mar e azeite de dendê. Setebro-Dezembro: - Permaneci o resto do ano todo na pesquisa. Agradeço muito a Ana pela paciência, mas sei que sou um tanto rebelde e nada me agrada totalmente, se não for feito com paixão e um tanto de espírito de transgressão. Aprendizado e amizade cultivada em silêncio e poesia. Dezembro: - Redescubro o giz de cêra. Ateliê de sentimentos em imagens. - Assisti a palestra do Mahfoud. Fantasia e encantamento. A psicologia ainda tem um futuro, eu acho. Pelas vias alternativas da compreensão, de encontro e dos significados que emergem da memória como herança. 2008...
- Meu ano da morte do Tarot. Não tenho medo. Mudanças são necessárias e estou crescendo. - Estágio no Aristides. - Início da travessia já em curso. (Eu, 30/12/2007) Comentários: Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
SINCRONICIDADE E PSICOLOGIA SOCIAL ENTRE KAFKA E EHRENFELS No final deste ano, enquanto eu ia para as aulas de Tópicos Especiais em Psicanálise IV, eu levei os “Diários” de Franz Kafka, na intenção de ler algum fragmento por mim selecionado em minhas “leituras pontuais”.* Para quem não sabe, entrei no curso de psicologia devido ao meu interesse por literatura**, em especial por influencia dos textos de realismo fantástico de Franz Kafka – dotados de grande impacto e teor existencial(ista), ao meu ver. No curso de Psicologia, desenvolvi grande interesse pela Gestalt em suas duas manifestações: tanto pela Psicologia da Gestalt do Wertheimer, Koffka, Kohler, Goldstein e Lewin, como pela Gestalt-Terapia do Perls e cia, por achar que, em abos os casos, era possível a mim fazer links entre Psicologia, Filosofia, Arte e, por que não, Literatura. Pois bem. A algum tempo encontrei um texto em PDF sobre divergências entre Kafka e Brentano. O conteúdo desse artigo não diz respeito ao causo em questão que quero trazer, mas, só por curiosidade, Brentano foi o “avô” da Fenomenologia de Husserl e “bisavô” da Psicologia da Gestalt. C. von Ehrenfels é apontado nos livros de História da Psicologia, como um dos precursores do movimento gestaltista, ao trazer discussões sobre “qualidades gestaltistas”, especificamente no que diz respeito à música. Uma música, mesmo sendo transposta para outros tons, conseguiria ser identificada como um todo, posto que “o todo é diferente da soma das partes”. Pois bem. Nos Diários de Kafka, eis que descubro uma citação, um tanto quanto cômica, acerca do Ehrenfels, que me levam a concluir – ou ao menos inferir – interesses deste por questões sociais. A psicologia da Gestalt, quando “migrou” para os EUA, durante a 2ª Guerra Mundial, acabou desenvolvendo muitos trabalhos na área de Psicologia Social, em especial por Kurt Lewin, em suas articulações entre a Teoria de Campo e os fenômenos de dinâmica de grupo. E, também o Metzger escreveu um livro sobre preconceito (que eu consegui, em espanhol). Pois bem. Trago até vocês o trecho do diário de Kafka, que contem a citação sobre o Ehrenfels, desde aquele tempo, um gestaltista psicólogo social:
Não me responsabilizo pela ironia kafkiana, nem pelo teor do comentário sobre Ehrenfels sobre mistura das raças. Kafka era judeu e viveu num contexto de grande tensão a anti-semitismo. Em todo o caso, é curiosa a situação, e dá o que pensar. L. F. Calaça | 27/12/2007 – www.o_enforcado.blogger.com.br P.S.: Não usarei citações bibliográficas pois isso não é um artigo científico, mas apenas um comentário de um curioso, maníaco obsessivo que não tem nada melhor a fazer além de ler o livro de “introdução ao gestaltismo”, que provavelmente ninguém mais irá ler, pelo menos não como forma de distrair-se do tempo. ____________ * técnica desenvolvida por mim – ou pelo menos assim denominada por mim – de encontrar citações que me interessam apenas abrindo o livro aleatoriamente e fazendo vagar meus olhos entra as linhas do texto sem verdadeiramente ler coisa alguma. ** assim como Dante Moreira Leito, um dos pioneiros da história recente da Psicologia no Brasil, que desenvolveu estudos sob influencia do gestaltista Fritz Heider, além de ter trabalhado articulações entre Psicologia e Literatura, tema que muito me interessa. Comentários: Terça-feira, Dezembro 18, 2007
Alguns dizem que a pessoa é o que come. Eu acho que isso tem algo de verdadeiro, mas acrescento outro ponto: AS PESSOAS SÃO OS LIVROS QUE LÊEM, OU TÊM. DICA DE LIVROS DA “ESTANTE VIRTUAL” PARA ME PRESENTEAREM, OU, PARA EU ADQUIRIR QUANTO FOR RICO: • Psicanálise da Percepção Artística Anton Ehrenzweig 1977 R$ 10,00 • Pequena História da Psicologia Michael Wertheimer n/d R$ 6,00 • Sistemas e Teorias Em Psicologia Melvin H. Marx e William a Hillix R$ 15,00 • History, Psychology and Science - Selected Papers Edwin G. Boring 1963 R$ 30,00 • Psicologia Estrutural Em Kurt Lewin Luiz Alfredo Garcia 1974 R$ 15,00 • Intuição e Intelecto na Arte Rudolf Arnheim 1989 R$ 40,00 • Hace una Psicologia del Arte Arte y Entropia Arnheim 1986 R$ 35,00 • Arte do Cinema Rudolf Arnheim R$ 50,00 • El Poder del Centro Estudios Sobre La Comp las Artes Visuales Arnheim 1984 R$ 39,00 • Gestalt, Mitos e Transcendência Alejandro Spangenberg R$ 30,60 • Gestalt Psichology: a Survey of Facts... George W. Hartmann 1939 R$ 40,00 • Phylosophic Foundations of Genetic Phychology and Gestalt Phychology (!!!!!) Gobar Ash 1968 R$ 75,00 • Processo Criativo Em Gestalt-terapia Zinker 2007 R$ 42,00 • A Busca da Elegância Em Psicoterapia Zinker 2001 R$ 42,00 • Arte e Ciência da Criatividade George F. Kneller 1973 R$ 15,00 • O Amor na Relação Terapêutica Helena Paranhos Cardella 1994 R$ 19,00 • Comunicaçao e Controle Social Pedrinho a Guareschi 2001 R$ 9,40 • A Caminho da Linguagem Martin Heidegger 2003 R$ 27,00 • Arte y Poesia Martin Heidegger 1973 R$ 25,00 • O Fim da Filosofia Ou a Questão do Pensamento Martin Heidegger 1972 R$ 10,00 • Seminários de Zollikon Martin Heidegger R$ 20,00 • Sôbre o Problema do Ser/ o Caminho do Campo Martin Heidegger 1969 R$ 10,00 • Filosofia de La Existência Karl Jaspers 1968 R$ 20,00 • Razon y Existência Karl Jaspers 1959 R$ 25,00 • Sinais M Merleau-ponty 1962 R$ 29,90 • O Visível e o Invisível M. Merleau Ponty 2007 R$ 15,00 • A Natureza Maurice Merleau Ponty 2006 R$ 45,00 • Humanismo y Terror Maurice Merleau – Ponty n/d R$ 17,90 • O Homem e a Comunicação - a Prosa do Mundo Maurice Merleau Ponty 1974 R$ 9,00 • Conversas – 1948 Maurice Merleau-ponty R$ 28,00 • Fenomenologia y las Ciencias del Hombre Merleau Merleau-ponty n/d R$ 13,00 • Crítica Fenomenológica da Psicologia Experimental Em M. Merleau Ponty Thomas R. Giles 1979 R$ 10,00 Comentários: Quarta-feira, Novembro 28, 2007
INDIVÍDUO E SOCIEDADE? Uma tentativa de síntese.* Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior Estar diante do outro, um estranho, é defrontar-me com a sensação de fragilidade. O outro me aprisiona com o olhar. Como diria Sartre: “O inferno são os outros”. Diante do outro, estranho, não consigo deixar de ser eu mesmo, em minha dança encenada de papéis, sempre tropeçando, sempre gaguejando, sempre fingindo uma segurança ou uma meninice que não tenho verdadeiramente. O estranho é o que melhor e mais apto está para me julgar de forma incondicional, sem pestanejar, aprisionando meu presente, cristalizando minha existência num olhar, num adjetivo, num conceito, numa crença concebida na superfície que demonstro ser, como lago. Diante do outro, conhecido, quando creio mininamente conhece-lo, tento ser eu memso. Mas caio na dúvida se o que sou ou creio ser realmente condiz com a imagem que faço de minha figura. Diante do outro conhecido tento ser o que para mim e mais fácil ser, diante do outro, na experiência que dele tenho a partir dos encontros travados anteriormente. Sempre me será um estranho, assim como eu a ele. Mesmo na cotidianeidade, nos dias partilhados em intinmidade, sempre serei um pouco desconhecido – para ele e para mim mesmo – e cada nova revelação será um choque. O estranho se revela a mim, como eu a ele, na parcialidade de um ângulo, de um momento passageiro, num instante de lapso, e cada novo encontro vai deixando indícios, sinais, que confirmam ou negam a primeira impressão. Mesmo assim o olhar do outro me congela em meu movimento em direção ao próximo segundo. Não tentarei ser comportado. Admito, desde o início, que não segui os passos indicados. Não fui sistemático e rigoroso, não fiz resenhas de capítulos, não li tudo o que devia(?) ter lido. Partirei de minhas impressões gerais, agora, após finalizado o percurso de um semestre, de forma corajosa ou suicida. Comecei o disciplina descrente na possibilidade de eu vir a “aceitar” uma perspectiva sociológica do humano. Não vim com muitas esperanças e tinha medo do previsível. Vim cheio de preconceitos, e não sei, admito, se eles foram desfeitos. Há algo ainda em suspensão, uma tentativa de formular um opinião, o receio de expressá-la. As aulas consistiram para mim como exposições de teses para as quais eu já vinha com todas as minhas antíteses, de corpo fechado. O único movimento que tive foi o inicial estranhamento manifestado na leitura do primeiro texto, o qual fui expositor, que questionava a relação de intimidade típica da organização familiar, em contraposição à vida errante e democrática, da sociabilidade e dos jogos de papéis vivido nas cidade, no “mundo real” da polis. Desde este princípio me coloquei como estrangeiro, lembrei-me de minha viagem a São Paulo no início do ano e do meu desagrado narcísico diante do que não era meu próprio espelho. As outras aulas mantive um posição de ouvinte (des)interessado. Tentei prestar atenção no que emergia, as falas que surgiam das leituras, os colegas – até hoje desconhecidos – que emitiam suas opiniões. Todos emitindo seus pontos de vista, para uma questão que acho sem solução. Indivíduo e sociedade? Indivíduo ou sociedade? Indivíduo-sociedade? Papéis, herança, identidade. Somos nossa casa, nossa família, nossa cultura local e provinciana? Ou somos a polis, as identidades múltiplas, fluidas, negociáveis na pólis. O exercício da teatralidade de papéis assumidos e dissolvidos a cada momento, a cada devis, em que manipulamos o mundo em que somos manipuláveis, como fantoches ou ventrílocos. Não sei. Nessa abertura para o mundo, nos dissolvemos, perdemos a condição de pessoa, nos tornamos anônimos e invisíveis. Quinze minutos de fama, como diria Andy Warhol. Apenas 15 minutos. De resto, somos como os ratos, numa massa que corre em busca da própria sobrevivência, como em Josefina, conto de Franz Kafka. E as cidades? Haverão realmente espaços para negociações – o grande mercado mundial de homens especialistas -, ou os papéis estão dados e legitimados por nós mesmos. Associações entre o burguês e o proletário, numa relação mutualista, cada qual se apropriando do que lhe é bem pra uso e abuso. Os trabalhadores em equipes que surgem e se desfazem após a realização de uma tarefa, sem que se espere mais nada, sem que se conheça sequer algo do outro. Lembro-me das minhas andanças pela cidade, a pé e de ônibus, desconhecidos que sentam-se um ao lado dos outro ou se esbarram, evitando o olhar constrangedor. As palavras agora são pronunciadas de forma encenada, na política midiatizada, em que se finge santidade e competência, bastando apenas parecer o que não se é. O tempo das cirurgias plásticas, do clareamento dental, da moda sempre em mutação, dos escândalos que se tornam espetáculo de contemplação e êxtase, melodramas mexicanos, tango. Ninguém é o que realmente aparenta ser. E todos escondem algo por traz do sorriso. E nas relações em grupo repetimos esses mesmos falseamentos de realidade. Criamos ficção de um mundo improvável, criamos crenças e dogmas em que possamos nos segurar, utopias e “ismos” para remediar o mal estar que a civilização instaura na impossibilidade de saciedade do desejo, na perda do verdadeiro desejo, sublimado ou transformado em sintoma e compulsão. Nesse ponto, só consigo ver a arte como salvação, na minha crença herética de que minha voz solitária me basta. Mas esse mundo não é o mundo dos poetas. É o mundo das caixas registradoras, e precisamos conquistar o pão com o suor do próprio rosto. E me pergunto, de que serve tantas discussões teóricas? De que serve a universidade que nos prende nas utopias de um mundo possível de salvação. Unindo forças por uma coletividade que é tão abstrata quanto a geometria das formas platônicas. O mundo inteligível das idéias. A sociedade formada de homens, caminhando movida por uma mão abstrata, maquinaria pesada ou tecnologia digital, irrealidade e virtualidade, digitalizando-nos, transformando-nos em porcentagens e estatísticas. Mas todo um discurso de contrariedade e tudo isso é, também, um ensaio de intelectualismo que vai do nada ao nada. Ainda assim somos humanos, vivemos em agrupamentos, trabalhamos e funcionamos, construímos vidas e vias, traçamos rumos que desejamos trilhar, planejamos e nos projetamos existencialmente, ou simplesmente nos deixamos levar pela correnteza. Despertar para a visão disso tudo é necessário. Uma saída ensaiada da caverna, mas será que realmente saímos do estado de cegueira e entorpecimento? Ou cairemos novamente numa outra cegueira de luminosidade ofuscante onde os contornos das formas são as mesmas sombras projetadas? Quando digo isso tento pensar no que lemos e discutimos. Tantos pontos de vista, tantos sinais de fumaça sinalizando conceitos, situações, e, todos eles defendendo vieses. Também eu tenho meus vieses, e será que realmente preciso lapidá-los, ou incorporar novas formas, para ser eu mesmo, para ser um outro em auteridade? Será que há essa auteridade ou nos suportamos? A diferença ideológica às vezes é tão mais marcante e conflitiva que as aparentes. Todos nós temos nossas ideologias, nossa forma “melhor” de ver o mundo, nossas verdades, e defendemos como se fossem reais. Tolerar ou não tolerar? Será que esse meu falatório tem sentido, ou é uma grande confusão? Não sei. Desde o início apontei para minha descompostura intencional. E a tentativa de síntese é falsa. Estou apenas sumariando. Citando. Discorrendo livremente, na liberdade que acredito ter nesse espaço aberto à reflexão. Mas bem posso estar enganado, e o previsível seja o que se espera. Estou tentando me arriscar. Nada tenho a perder. Isso até parece uma provocação ou uma pirraça. O que mais me resta? Posso tentar fazer mais algumas correlações com o que eu já trazia como idéia. Posso emitir opinião sobre a vivência do grupo. Posso omitir meus sentimentos e acreditar que tudo transcorreu conforme o previsível. Mentira! Trago incômodos. Entre nós há, e se reproduz, o desconforto. Situação atípica. Uma presença. Algo que destoa do resto do grupo. Ela estava lá, fazendo comentários e perguntas incômodas, aparentemente sem nenhuma conexão com o que ela trabalhado. Às vezes ingênua, outras vezes confrontando a figura central de facilitadora. Senti prazer em ver essa situação se instaurar, pois mostrou o quanto estamos conformados com os papéis dados, e domesticados, e que o imprevisível é desconcertante. Acho que é o lugar da loucura no mundo. É motivo de risos e desconforto, quando não censurado e reprimido. Nada se fala, fica a situação velada, mas eis que emerge e se cristaliza o “bode espiatório”. E também temos aquela que na risada de deboche abre espaço para as opiniões bem fundamentadas, para as referências à filosofia alemã, o discurso sobre o desejo, o mais forte que submete o outro por prazer de gozar, o relativismo dos valores como verdade afirmada. Senti-me contente. Momentos inesquecíveis nesse período. Como saio afinal? Não sei. Algo se moveu, mas não mudei meus pontos de vista. Quero sedimentá-los um pouco, teimar na minha ignorância e resistir à psicanálise, ao marxismo, à sociologia, à antropologia, às fenomenologias do outro homem. Mas sei-me em mutação. Já não estou mais no início do percurso. Já estou um tanto cansado das discussões que não levam a lugar nenhum, posto que dissociada da vivência real com o outro. Saio de uma turma de desconhecidos. Se exercitei meu papel nas arenas da polis acadêmica, foi por minha escolha pela omissão consentida. Nada me pereceu tão novo que não seja velho. Como exercitar a própria existência é o que me pergunto. Não sei se isso é o bastante. Não sei se tenho mais nada a falar. Acho que é tudo o que posso emitir enquanto registro de minhas idéias e síntese de minha participação desse círculo de pessoas. O espaço, eu sei, é importante. Janelas se abrem para que articulações possam ser feitas no futuro. Eu guardei coisas em mim, que não foram ainda assimiladas. Jogo na lata de lixo de minha cachola, para depois ruminar. Sinto muito, pois tentei ser poeta, e sofista, contra a ciência dos conceitos e da busca pela verdade, defendendo o absurdo. ____________________ *Relatório das aulas da disciplina Indivíduo e Sociedade, ministrada pela profa. Sônia Bahia, no semestre de 2007.2. Comentários: Terça-feira, Novembro 27, 2007
MEUS SERIADOS FAVORITOS ...
...para quem NÃO tem preconceitos e já foi para boates com goo-goo boys.
...para quem tem humor negro e gosta de dramas domésticos estilo Familia Adams. Comentários: Segunda-feira, Novembro 26, 2007
LINGUAGEM E POESIA NA PSICANÁLISE: TRÂNSITOS ENTRE LACAN E OCTÁVIO PAZ E UM OLHAR INCERTO PARA O FUTURO* Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior O inconsciente é linguagem, na psicanálise. O homem é linguagem, posto que é ser de cultura. Essas duas sentenças, em certa medida, traduzem o pensamento psicanalítico sobre a questão da linguagem, pensada por Lacan, que, ao fazer uma releitura da psicanálise de Freud, em associação a uma perspectiva estruturalista, sugere essa compreensão do inconsciente. Sendo o homem um ser de cultura, este se desprende da natureza de forma irreversível. Por estar imerso na linguagem, o homem cultural se diferencia dos outros animais, posto que não mais se limita a imagem e a realidade aparente, mas transcende essas duas dimensões, que passam a ser cortada pelo simbólico. Na esfera do simbólico o homem transcende a realidade e é capaz de recriá-la através da imaginação, da fantasia, erotisando o sexo, erotisando o universo, que deixa de ser um dado factual para ser um sentido. O homem é um ser pulsional. A pulsão, por sua vez, é marcada pela linguagem, pela cultura, pelos sentidos que se criam pelo homem, no mundo que passa a ser objeto de desejo. O desejo dá sentido à existência humana. O mundo desejado, o corpo desejado, o “eu” desejado. O homem, e o mundo, são os sentidos criados e recriados pela cultura, que deixa seus registros desde os primeiros momentos da vida infantil, através do processo de socialização, da amamentação ao banho, dos primeiros passos ás primeiras palavras. Na fala o homem, então, se constitui definitivamente, único e singular, despregado da natureza. Também Paz, em seu livro de ensaios “O Arco e a Lira”, traz essa dimensão lingüística constitutiva do homem, concebendo-o como um ser histórico. A linguagem teria sua origem num determinado momento da história da humanidade que o definiu e o diferenciou dos outros animais, sendo esse retorno a natureza impossível, pois implicaria na perda da função da linguagem, enquanto recurso de representação e abstração da realidade que, foi fundamental para o desenvolvimento das sociedades, das leis, da cultura. Haveria nos outros animais formas de comunicação, sendo a linguagem humana diferente das outras formas de comunicação diferente em termos de nível de complexidade. Essa diferença, no entanto, é definitiva e definidora. A linguagem humana não traz apenas sinais que remetem a estados emocionais que sinalizam perigo, fuga, presença de alimento ou corte, como nos outros animais. A linguagem humana não apenas reproduz a realidade, mas a cria e recria, reconfigura através dos múltiplos sentidos e significados que emergem da palavra viva. A dinâmica da linguagem do inconsciente se dá, na psicanálise, através dos mecanismos de metáfora e metonímia, na cadeia associativa de significantes que envolve o deslocamento da pulsão, do objeto de desejo primeiro pela mãe, a outros objetos, no mundo. Da mesma forma funcionaria o sintoma, que se utiliza do recurso da metáfora substitutiva do trauma ou do objeto recalcado por outros conteúdos secundários. A emergência desse conteúdo latente, dotado de energia pulsional, poderia se dar através de manifestações como os sonhos, os chistes, atos falhos, manifestações corporais que, como linguagem, são dotados de sentidos e serem apreendidos pelo sujeito significante. O próprio homem é o significante da linguagem, na psicanálise, aquele que traz o sentido à fala, não sendo esta atrelada ao significado, a uma representação direta da realidade. A realidade para a psicanálise é a realidade psíquica, e não a realidade factual. A linguagem, para a psicanálise, não é protótipo do mundo, mas um novo mundo, inconsciente, subjetivo, do próprio homem, simbólico. Em Octávio Paz, essa compreensão se aplica à palavra poética. A linguagem, na poesia, rompe a sua qualidade comunicativa, deixando de servir apenas ao objetivo de representar a realidade, para expandi-la, tranfigurá-la, trangredí-la. A palavra é impossível de ser aprisionada pelos significados definidos, por um único objeto referente. A palavra é múltipla, e múltiplo o homem, que a pronuncia, é inscrito por ela. A palavra poética define o homem em sua condição simbólica, e sua existência é imprecisão. O homem é poeta, e na poesia é servo da linguagem, é veículo na qual ela se manifesta, incorpora, torna-se realidade. O poema constrói o povo e revela quem somos. Através da palavra poética se criam sentidos, se funda a cultura, a humanidade deixa suas marcas definidoras, sempre reelaboradas. Partindo dessa perspectiva, Paz discute o caráter social da poesia e pensa sua função como criadora de subjetividade partilhada e pessoal. O poeta escreve o poema na linguagem comum aos homens, mas o acesso dos homens aos seus significados revelados, variam a cada época. A poesia emerge tanto em momentos de crise quanto de plenitude social. Na ordem, a poesia é patrimônio de todos, comunica à comunidade ideais comuns, guia a civilização por um caminho. Na crise, a poesia se torna hermética, individualizada, voltada para uma busca incerta de nortes, de sentidos perdidos no caos. Nesses tempos, os mesmos tempos que hoje vivemos, a poesia é revelação da decadência, é alerta, é grito que se faz inaudível no meio da multidão. A psicanálise, em sua origem nos fins do século XIX, surge como manifestação da cultura revelando o homem moderno em suas neuroses. A Psicanálise é filha da decadência do mundo moderno, e se apresenta furando o campo das ciências exatas e naturais como uma nova forma de pensar o homem, na sua subjetividade, nos seus aspectos ocultos e velados. Assim, em muitos aspectos, ela se aproxima muito mais do fazer poético, do trabalho do artista. A linguagem para a psicanálise não segue a linha da comunicação, em sua horizontalidade, na seqüência de significados encadeados que remetem a uma realidade factual. Os traumas tratados nem sempre tem um representante no vivido, mas fantasmático, inscrito na cadeia associativa inconsciente, desejo e castração. No método criado pela psicanálise, na associação livre, as palavras emergem como na poesia, rompendo o real, pulsionalizadas, vibrando. E o psicanalista, como o poeta, é servo de seu ofício, instrumento da linguagem, xamã que inicia o cliente, o sujeito, nas artimanhas da linguagem inconsciente. O mundo é lido na psicanálise através de uma forma própria, numa linguagem para iniciados, a linguagem inconsciente. O lugar almejado pela psicanálise, em muitos momentos, é o de reveladora, permitindo ao próprio sujeito significante da análise a possibilidade de descobrir-se, aperceber-se de um conhecimento que ele mesmo traz em sua vida. Como o poeta, o artista, o analista seria aquele que facilitaria à humanidade ver além de sua realidade cotidiana, expandindo sua visão para além dos significados corriqueiros, dos condicionamentos, dos aprisionamentos. A poesia é a palavra sem fins utilitários. A psicanálise é a revelação da loucura de todos, de cada um de nós. Mas será mesmo? Paz aponta para o perigo do poeta se transformar em propagandista, ser manipulador das massas, num tempo atual, em que as comunidades de desfizeram e a coletividade está padronizada. Também o psicanalista, ao utilizar-se da teoria psicanalítica, pode incorrer nesse perigoso caminho. Mas serão esses poetas e analistas verdadeiramente poetas e analistas? Ou o lugar da poesia e da psicanálise é, justamente, a margem. O poeta é marginal quando traz uma nova linguagem, quando perverte os sentidos, quando cria o novo. Também o analista deveria assim proceder, no exercício da psicanálise enquanto arte de revelação. Mas será que a psicanálise realmente nos revela os caminhos incosncientes de nossa própria existência, ou nos aprisiona no Édipo, no desejo incestuoso da mãe, no medo da castração, nas estruturas de personalidade, na neurose, psicose e perversão? De que psicanálise se fala e se pratica. Que poesia estamos vendo surgir hoje? Se estamos vivenciando uma crise dos tempos, a mesma crise de a cem anos, no caminho da decadência da Modernidade, vemos emergir como costumes o individualismo exacerbado e a cegueira de massa, do consumo, do utilitarismo. Mais se escreve autobiografias, mais se lê livros de auto-ajuda e revistas tablóides. Se consome a vida alheia e se viva a própria vida amarrada às aparências, às tiranias da imagem padronizada, tiranizada pela mídia, pela moda. A poesia se torna silenciosa, como a voz dos intelectuais, e a psicanálise corre o risco de se tornar mais um objeto de consumo, um produto fetichizado de consumo, eliciando pequenas revelações que não necessariamente transformam o sujeito em ator de sua própria vida, mas mantêm no ciclo repetitivo. Esse risco não é apenas o da psicanálise, mas de todas as abordagens psicoterapeuticas. Mesmo assim, ainda se tem a crença e a esperança de que é possível romper a lógica convencional, instaurando uma nova lógica, através da palavra poética, que transgride os significados dicionarizados e cambiando novas dimensões de sensibilidade. Para isso, é necessário que a poesia seja acessível a todos, que haja um compartilhamento da poesia, que novas linguagens ascendam do ordinário e novos sejam os iniciados, os profetas, os loucos. ____________________ *Texto escrito para a disciplina Tópicos Especiais de Psicanálise IV, ministrado pela Profa. Clarice Bacelar. UFBA, nov. 2007. Comentários: Sábado, Novembro 24, 2007
Terça-feira, Outubro 30, 2007
A DEUS Pedra parada não forma limo... Como esvaziar o vaso de mim? Deixar de ser pedra e escapar do asfalto. Não sei das coisas possíveis. Só sei o impossível de mim. Pedra parada, soterrada. Ainda não sei o sentido do provérbio. Ando amaldiçoado. Preciso de veneno em minhas veias. Ser pedrada na vidraça. Meus cacos. Pedra parada na correnteza. Afogada. O limo verde. Lembrei-me do primeiro poema do mundo. Musgo, fungo, molusco. Já está nesse ponto. Pedra parada no fundo. Não-barulho. Silêncio... Comentários: Terça-feira, Outubro 09, 2007
Vó, te amamos muito. Espero que esteja descansando em paz, agora, como vovô. Seu neto que te ama, Nando. Comentários: Domingo, Outubro 07, 2007
Domingo, Setembro 23, 2007
Terça-feira, Setembro 11, 2007
POSSESSÃO para P. Nas loucas trilhas do amor deixo meu coração inseguro. Nas loucas trilhas, me des-rumo. Nas loucas trilhas sem rumo, arrasto você comigo. Nas loucas trilhas te quero. Nas loucas trilhas, sem esperar te sufoco. Nas loucas trilhas arranco minhas retinas, cego, insâno, vampiro. Nas loucas trilhas preciso. Nas loucas trilhas, impreciso passo, te desejo insensatamente. Nas loucas trilhas me afogo. Nas loucas trilhas, seu quarto. Nas loucas trilhas, seu cheiro. Nas loucas trilhas, a boca. Nas loucas trilhas, nossas pernas brigando, entre pelos e incoerências. Nas loucas trilhas choramos, desejando a fusão dos núcleos. Nas loucas trilhas sou eu, sou tu, somos nós, nóis cegos, indesatáveis. Nas loucas trilhas de água, veneno e escamas, sangue e linfa, fervendo minha calmaria, nos possuimos um ao outro, nas loucas luas de nossas noites interrompidas. (L.) Comentários: Segunda-feira, Setembro 10, 2007
ANGÚSTIA IMEDIATA "Preciso dar um rumo a minha vida", diz minha consciência. "Ainda sou uma criança", diz minha inconsciência. "Preciso arranjar um emprego", diz minha consciência. "Não sei fazer nada", diz minha inconsciência. Consciência e inconsciência falam separadamente em minha cabeça. "Preciso de um amor incondicional", diz meu coração. "Preciso de um beijo, longamente", diz meu corpo. Corpo e coração fazem parte de um mesmo conjunto. O que fazer, afinal? Sinto angústia diante da vida, que não passa verdadeiramente. Tento transmitir em palavras aquilo que não consigo fazer escorrer de outra forma. Vivo minha vida estancada. Como se fosse uma barragem... Sou a barragem estancada de meu corpo, fragmentado, inundado, desejando livrar-me do peso de mim mesmo. Escrevo por desespero de vida e morte. Se volto a dizer-me é porque estou condenado a esta solidão involuntária. O que me resta fazer? (suspiro). (L. F. Calaça | Agora) Comentários: Domingo, Setembro 09, 2007
(Arco íris, Autor desconhecido.) A cidade na noite escura cor de violeta Sua pele, olhos e lábios cor de sangue No beijo azul do céu e o mar moradia Lambendo a relva verde, primavera de Monet Ou deserta passagem entre a seca brilhante Montanhas queimando no horizonte Chama incendiando o vazio de volta à mesma ilusão. (Dia do Arco-iris | L) Comentários: Sábado, Setembro 08, 2007
CARTA DOS CORÍNTIOS fico pensando aqui eu, com minha angústia se realmente vale a pena esperar... sem saber ao certo o impreciso quando o corpo que fala não tem resposta e o beijo, no silência, não deixa marcar precisas falar de amor entre dois corpos é aventurar-se em reflexões metafísicas dois corpos que se movem no espaço sem se tocar realmente projeções astrais, cartas de tarô, runas quiromancia das linhas aneladas e das interrupções de segmento meu coração chora angústia desmedida cansado de lutar com o vazio de nós dois das incompatibilidades de gens das loucuras mudas de minha alma do espírito em ebulição correnteza abaixo não sei se posso te amar, verdadeiramente, pois só sei caminhar na medida da incondicionalidade na paixão avassaladora dos loucos que tateiam no escuto o próprio corpo despedaçado, entre cordões de aço, pescoço como se precisasse dedilhar as chamas da paciência sem resposta alguma escrever meus sonhos nas paredes vermelhas pedir preces aos santos de guarda não sei a que me presta esta louca insenstez senão à tentativa vã de me manter ainda vivo ou de persistir. persistir. insistir. teimar! e dói assim mesmo a vida, não poderia ser diferente minhas incertezas, crises, lapsos. não me provoque! sou andarilho das finitudes. e meus passos dizem adeus. (Hoje, agora. | L.) Comentários: Segunda-feira, Setembro 03, 2007
CURRICULUM VITAE INFORMAÇÕES PESSOAIS Nome: Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior Endereço: Rua José Rodrigues Figueredo, nº 4, Matatu-Brotas Salvador/BA CEP: 40260-015 Telefone: --- Celular: (71)8857-9946 E-mail: lfcalaca@gmail.com Data de Nascimento: 28/02/1986 Estado civil: Solteiro Nacionalidade: Brasileiro OBJETIVO Prestar estágio de Psicologia nas áreas de Recursos Humanos, Comunidade ou Hospitalar. DISPONIBILIDADE DE HORÁRIO: 20 horas semanais FORMAÇÃO ACADÊMICA 2004 - : Psicologia, pela Universidade Federal da Bahia (cursando 7º semestre). • 2006 - 2009: Curso de formação em Gestalt-Terapia, pelo Instituto de Gestalt-Terapia da Bahia. (cursando) • 2006 - 2008 : Curso de formação em Abordagem Centrada na Pessoa – Plantão Psicológico, sob a orientação do Prof. Mestre Emanuel Pereira. (interrompido em ago. 2007) EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL Experiência de 2 anos em pesquisa (iniciação científica): • Set. 2004 – Dez. 2005: Acervo particular Thales de Azevedo (Azevedo Prodata), subprojeto da Coleção Memória do Saber - CNPq, sob a orientação da Profa. Dra. Maria David de Azevedo Rebouças Brandão. Atividades desenvolvidas: digitação, organização e fichamento de documentos. • Jun. 2006 – Ago. 2007: Bolsa de iniciação científica (PIBIC-CNPq), projeto "Contextos e trajetórias de desenvolvimento em realidades culturais", sob a orientação da Profa. Dra. Ana Cecília de Sousa Bittencourt Bastos. Atividades desenvolvidas: realização de entrevistas semi-estruturadas, transcrições, leituras e discussões teóricas, elaboração de resumos, pôsteres e artigos científicos, apresentação de trabalhos em congressos, organização de seminários. IDIOMAS • Inglês – formação até nível avançado pelo EBEC, entre 1998 e 2003. Leitura e fala intermediária. • Espanhol Leitura básica CONHECIMENTO EM INFORMÁTICA Básico e prático em Office (Word, Excel e PowerPoint) e Internet INFORMAÇÕES ADICIONAIS Apresentação e propostas de trabalhos aprovadas nos seguintes eventos científicos: • Outubro/2006: XXXVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia. Apresentação, em mesa redonda, do trabalho " Menino presente: fragmentos de infância e aspectos do desenvolvimento na poética memorialista de Boitempo, de Carlos Drummond de Andrade". (com publicação de resumo estendido em Anais) • Julho/2007: IV Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde/XIV Congresso da Associação Internacional de Políticas de Saúde / X Congresso Latino Americano de Medicina Social. Apresentação de pôster intitulado "Nascer não é igual para todos: experiência de parto de mulheres de diferentes gerações e classes sociais frente a serviços de saúde". (com publicação de resumo) • Setembro/2007: XI Encontro/VIII Congresso Nacional de Gestalt-Terapia (Rio de Janeiro). Proposta aprovada para apresentação oral do trabalho: "Gestalt e Literatura: Esboços e Paralelos, Gênese e Atualidade”. • Outubro/2007: XXXVII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia (Florianópolis). Proposta aprovada para apresentação oral, em sessão coordenada sobre Psicologia Cultural, do trabalho: “O Drama da Maternidade: Construção de Cenas e Atos em Narrativas de Mães e Avós”. • Novembro/2007: VIII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (VIII SEMPPG)/XXVI Seminário Estudantil de Pesquisa (XXVI SEMEP). Inscrição de resumo para apresentação oral do trabalho: “A construção cultural da maternidade no curso de vida de famílias de mulheres multíparas: uma análise de conversação em contexto transgeracional”. Participação de Reuniões Científicas na condição de ouvinte: • III UNIPSI, Encontro dos Estudantes de Psicologia da Universidade Salvador – UNIFACS. / Psiarte Psicologia e Arte: diferentes formas de problematizar a subjetividade humana. Salvador, 2005. • Salvador Gestalt 2005 – Encontro de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2005. • I Simpósio da ABEJ: Quem vê, quem ouve, quem pensa: a Psicologia Analítica na Bahia. Salvador, 2005. • II Encontro de Fenomenologia e Hermenêutica: leituras do Mundo. Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2006. • I Encontro Regional/Nordeste de Filosofia e Psicanálise. Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2006. • I Encontro de Pesquisa do programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFBA. Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2007. • Colóquio Walter Benjamin: Formas de Percepção Estética. Goethe Institut, Salvador, 2007. Mini-cursos: • “A arte na perspectiva da Gestalt-Terapia”, durante o III UNIPSI, Encontro dos Estudantes de Psicologia da Universidade Salvador – UNIFACS. Salvador, 2005. Carga horária: 4 horas. • “Introdução a Gestalt-Terapia”, ministrado por Afonso Henrique Lisboa da Fonseca, durante o Salvador Gestalt 2005 – Encontro de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Carga horária: 3 horas. • “Pesquisa fenomenológica (Métodos e aplicações)”, ministrado pelo Dr. Adriano Furtado Holanda, promovido pelo Instituto de Gestalt-Terapia da Bahia, Salvador-Bahia, 2005. Carga horária: 16 horas. • "A questão da cultura em Vygotsky", ciclo de palestras com Aaro Toomela (Universidade de Tartu), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/UFBA, entre os dias 1 e 04/08/2006. Carga horária: 9 horas (sem certificado) • “Seminário sobre Desenvolvimento e Diversidade: Questões de Teoria e Método", workshops com o Prof. Jaan Valsiner (Clark University), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, UFBA, entre os dias 08 e 17/08/2006. Carga horária: 17 horas (sem certificado) • “A Psicopatologia como processo sócio-histórico: contribuições da Psicologia Existencialista”, por Daniela Ribeiro Schneider, durante a XXXVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia, dias 25 a 28 de outubro de 2006, Campus da Universidade federal da Bahia, Salvador. Carga horária: 5 horas e 30 minutos. • “Processo de criação na perspectiva da Psicologia Histórico-cultural”, por Kátia Maheirie, durante a XXXVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia, dias 25 a 28 de outubro de 2006, Campus da Universidade federal da Bahia, Salvador. Carga horária: 5 horas e 30 minutos. (sem certificado) • “A Função do símbolo na psique e na escuta clínica”. Ministrado pelo psicólogo Alberto Pereira Lima Filho, promovido pelo Instituto de Gestalt-Terapia da Bahia, Salvador-Bahia. Carga horária: 16 horas. Palestras abertas ao público assistidas como ouvinte: • “Epistemologia e Behaviorismo Radical”, por Abibi. Mestrado de Filosofia da UFBA, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 24/05/2005. (sem certificado) • “Atualidade da Gestalt-Terapia”, por Afonso Henrique da Fonseca. UFBA, 25/05/2005. (sem certificado) • “Freud & Nietzsche”, por Luis Roberto Monzani. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Mestrado de Filosofia. 01/09/2005. (sem certificado) • “Transformação, transmutação e transcendencia”, por Aidda Pulstilnik, Faculdade Rui Barbosa / ABRASSO, 15/09/2005. (sem certificado) • “Angústia: constituições do ser em Heidegger”, por Elder Soares Santos (doutorando em filosofia da Psicanálise), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 01/11/2005. (sem certificado) • “Preocupações científicas na Gestalt-Terapia”, por Jorge Ponciano Ribeiro. Palestra promovida pelo Instituto de Gestalt-Terapia da Bahia, Faculdade Bahiana de Medicina e Saúde Pública, 09/06/2006. (sem certificado) • “Panorama da história, da cultura e do teatro irlandês”, por Noélia Borges de Araújo; “Samuel Beckett: o poeta do caos”, por Luiz Marfuz. Teatro Vila-Velha, 21/08/2006. (sem certificado) • “Análise Bioenergética: o caminho da mente vibrante”, Sociedade de Análise Bioenergética/Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, dia 20/09/2006. (sem certificado) Comentários: Terça-feira, Agosto 28, 2007
POEMA GARIMPADO Procurando sem querer possíveis referencias a mim no google - e crente de que só encontraria meus próprios blogs e comentarios que esporadicamente faço a meus amigos, eis que encontro essa pérola: um poema meu, garimpado de algum lugar obscuro de meus blogs. O site onde publicaram é esse: FOTOGRAFIAS, POESIAS e um tantinho de prosa tentei deixar um comentário agradecendo mas não consegui. Se alguem conseguir me avisa. Abração à Liz - ou seja lá qual for o nome do criador do blog. L. F. Calaça Comentários: Quinta-feira, Agosto 23, 2007
Segunda-feira, Agosto 20, 2007
NÃO ME LEVEM A SÉRIO! E a semana vai começando, meio como quem não quer. É isso! Vou me arrastando um pouco, um pouco/muito entrevado, qua quase não consegue sair da cama. Se precisarem de mim, gritem, por favor, pois sou meio distraído e posso não me dar conta. Minha mãe disse que eu só não perco a cabeça porque está presa ao pescoço. (Ela fala a mesma coisa, mas substituindo minha cabeça por minhas "partes pudentas"). E lá vou deixando o que vier na minha cabeça aflorar na tela do computador, cheio de erros de ortografia, pois não olho pra tela quando estou digitando. Minha cabeça está coçando, porque meu cabelo está grande. Preciso cortar para ficar gatinho., É isso. Vou mudar a roupa para poder comprar uma cadeira de rodas. Sempre quiz ter uma cadeira de rodas. Mas não é pra mim não. Sindrome de Professor Xavier. Besos. L. Comentários: Domingo, Agosto 12, 2007
Quinta-feira, Agosto 09, 2007
POESIA SONORA a poesia arrebentou meus timpanos com o grito-mundo das angustias ternas na delicada liquidez das dores turvas do olhar sobre as águas de um lago espelho móvel de transitória fluidade das danças arcaicas de meus desejos a poesia, palavra fera de mil dentes fez a carne tremer sem tato, num arrepio e fiz-me trânsito sem freio, sem faixas nas brancas nuvens de meus sonhos de sombra refletida em meus olhos ilhadas gotas-coágulos de meus beijos a poesia é nome indefinível, inominável daquelas que só se conhece por magia desenterrando charadas e feitiços de simpatia como morrendo aos poucos, como gemendo em noites de insônia e quase pânico de quase ver a alma escapar do corpo ganhando vida própria. em cavalgada. L. Comentários: Quarta-feira, Agosto 08, 2007
Domingo, Agosto 05, 2007
Domingo, Junho 24, 2007
JUDAS E A CORDA Qual é a sua forma entre estas duas faces que são e não são que pendem na sombra de um vaso de cerâmica, de cera, de barro? Qual é a sua face nesse deslisar através da parede imóvel, estático, inerte... Qual é a sua forma, quando a fase da lua é minguante e o amor se dilui num cálice mudo? (L. F. Calaça | 24/06/2007) ![]() Comentários: Sexta-feira, Junho 22, 2007
COMO PODE? solenemente abro minhas amarras nas desconjunturas da vida e decifro codigos submersos. aliviando tensões em estado de letargias guilhotinando ilusões parabrisas e atacando, teimosamente os tiroteios que saem de minha cabeça cor de silêncio. L. F. Calaça 22/06/2007. Comentários: Domingo, Junho 17, 2007
GRUPO DE ESTUDOS DE PSICOLOGIA DA GESTALT* PÚBLICO ALVO: Estudantes e profissionais das áreas de ciências humanas e saúde (Psicologia, Comunicação, Arquitetura, Artes, Ciências da informação, etc) que tenham tido contato com a Teoria da Gestalt. OBJETIVOS: - Possibilitar a leitura e discussão de textos clássicos e da atual Psicologia da Gestalt, numa perspectiva interdisciplinar. - Buscar estabelecer uma compreensão da atualidade da Psicologia da Gestalt em diversos campos do conhecimento. METODOLOGIA: Grupos de discussão e seminários interativos. PREVISÃO DE INÍCIO: Agosto de 2007 DURAÇÃO: De 6 meses a 1 ano (a depender do andamento do grupo) Encontros quinzenais aos sábados pela manhã. LOCAL**: Biblioteca Central do Estado da Bahia (Barris) TEMAS PROPOSTOS: - Franz Brentano e a Psicologia Empírica - Fenomenologia de Husserl e Merleau-Ponty - Escolas da Gestalt: Berlim. Leipzig e Graz - Princípios da Psicologia da Gestalt de Koffka, Kohler e Wertheimer nos estudos de Aprendizado, Memória, Percepção e Resolução de problemas. (contribuições para a Psicologia Cognitiva) - Kurt Lewin: Teoria de Campo, Personalidade e Dinâmica de Grupo - Kurt Goldstein: a Teoria Organísmica, personalidade e sua nfluências sobre a Psicologia Humanista (Maslow, Rogers e Gestalt-Terapia) - Rudolf Arnheim: aplicação da Psicologia da Gestalt em artes, comunicação, design e arquitetura. - Críticas à Teoria da Gestalt pelo Behaviorismo e Fenomenologia BIBLIOGRAFIA: Adaptável. Construída de acordo com o perfil e o interesse do grupo. (TEXTOS DISPONIBILIZADOS A CADA ENCONTRO) COORDENAÇÃO: Luiz Fernando Calaça (Estudante de psicologia da UFBA, 7º semestre, em formação em Gestalt-terapia, pelo IGTBa) CONTATOS: 8857-9946 ou lfcalaca@gmail.com / lfcalaca@bol.com.br CUSTO MENSAL***: R$ 40,00 (quarenta reais) ___________________ * Não é curso de especialização, não envolvendo nenhum tipo de certificação. ** Local passível de mudança, a depender do numero de pessoas interessadas. *** Referente ao investimento com textos e ao trabalho de coordenação do grupo.
CALENDÁRIO*: 04/08 - Apresentação da proposta para o Grupo de Estudos 08/08 - Franz Brentano e a Psicologia Empírica 01/09 - Fenomenologia de Husserl 15/09 - Psicologia da Gestalt (Histórico) 06/10 - Principais conceitos e focos de estudo 20/10 - Críticas (do Behaviorismo e Fenomenologia de Merleau Ponty) 03/11 - Teoria de Campo de Kurt Lewin 24/11 - Teoria Organísmica de Kurt Goldstein 01/12 - Arnheim e a teoria da arte 08/12 - Atualidades de Psicologia da Gestalt (*) Calendário resumido, podendo ser reelaborado na primeira reunião, a depender do que seja definido em grupo. FICHA DE INSCRIÇÃO: NOME: ENDEREÇO COMPLETO: TELEFONE: E-MAILS: FORMAÇÃO: ( ) Estudante ( ) Profissional ÁREA: ____________________________ COMO SOUBE DO GRUPO? Mandar para o email lfcalaca@gmail.com . Comentários: Segunda-feira, Junho 11, 2007
LIVROS Composição: Caetano Veloso Tropeçavas nos astros desastrada Quase não tínhamos livros em casa E a cidade não tinha livraria Mas os livros que em nossa vida entraram São como a radiação de um corpo negro Apontando pra a expansão do Universo Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso (E, sem dúvida, sobretudo o verso) É o que pode lançar mundos no mundo. Tropeçavas nos astros desastrada Sem saber que a ventura e a desventura Dessa estrada que vai do nada ao nada São livros e o luar contra a cultura. Os livros são objetos transcendentes Mas podemos amá-los do amor táctil Que votamos aos maços de cigarro Domá-los, cultivá-los em aquários, Em estantes, gaiolas, em fogueiras Ou lançá-los pra fora das janelas (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos) Ou o que é muito pior por odiarmo-los Podemos simplesmente escrever um: Encher de vãs palavras muitas páginas E de mais confusão as prateleiras. Tropeçavas nos astros desastrada Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas. Comentários: Domingo, Junho 10, 2007
CASULO TEMPORÁRIO Deixo aqui este link. Sem pedir autorização de sua dona ("Bê Alves" ou Ana Cecília). Um presente para os passantes. Um relicário.Espero que do casulo surja uma bela borboleta de asas brihantes. Entre retratos de família e o dia que se faz em pequenos passos. Casulo Temporário. Comentários:
NÚPCIAS Cheiro de saliva e sexo. A noite. Beijos leves. Dois corpos de veludo. Mãos. Vultos. Esfíncter Aliança de pele. (10/06/2007) Comentários: Sexta-feira, Junho 08, 2007
Terça-feira, Junho 05, 2007
POEMA DO CORPO Luto com meus demônios alados que abem suas vaginas vermelhas e devoram minhas pernas de cobre paralisando os trilhos do trem A estrada de ferro retorce na convulsão paranóia de santos encapuzados escondendo o rosto sob véus de seda enlouquecendo mulheres virgens e devassas. Lambo as cicatrizes da guerra santa em nome do meu nome e do meu sexo rompendo as correntes da mulher pantera que escorrega entre o cálice e o grito. Devoto meus cabelos aos renegados que atravessam nus o purgatório enquanto ambalam meu corpo-feto abortado na última madrugada. (08/01/2007) ![]() Comentários: OS POLIÉDROS DA JUSTIÇA... Nada além da mortalha. Palavra câncer deflorando olhos. Sensação de náusea, o obscuro. Tentando me equilibrar nas pulsações. Arritmia cardíaca, dilúvios. Meu sangue escorrendo em correnteza pulsação. Palavras rarefeitas. Clarividência e prisma. Ofuscando as lampadas com o abismo. Escrevo trocadilhos e aleluias derívas. Sem esboço, som ou predicativos. Devoro meus ossos sepultados. (30/04/2007) Comentários: Quinta-feira, Maio 24, 2007
ÓAI ! As pulsações degoladas os para-ráios as brisas respirando adeus pegando os restos de comida e as espumas de saliva com o veneno dos sexos e os silêncios imersos em cem mil incêndios. As Luas são miragens retilantes metamorfoses transplantadas das dores mortas e fadadas ao estado alterado e decomposição, a quem se destina a idéia original que cria mundo autistas. Já foi! O tempo navega em seu deserto. (L. F. Calaça | hoje)
Série Ligas, Wesley Duke Lee Comentários: SINAL DE MERCÚRIO O poeta respira. - o mundo. O poeta suspira, fundo. O poeta transpira (n)o escuro. O poeta mira o (ab)surdo. E as coisas seguem. ... sem rumo... (L. F. Calaça | hoje) Comentários: Quinta-feira, Maio 10, 2007
Terça-feira, Maio 01, 2007
Domingo, Abril 29, 2007
eu me sinto um pouco morto n sei como renascer a realidade pesa às vezes de forma insuportável viver n é leve n sei como nascer de novo tenho dificuldade com mudanças n sei, estou morto agora até pra mim mesmo n consigo respirar meu corpo pesa muito queria voltar pro meu ovo repor minhas cascas ficar quietinho quentinho acho q tenho q me desenhar fora do ovo agora mas tenho medo de morrer de frio n posso ter certeza eu queria gritar me sinto apodrescendo estou no escuro n tenho coragem estou gritando por dentro e parece q estou desabando n tenho coragem pra olhar n sei só preciso de um olhar que me guie e me dê segurança sabe o apego? preciso de apego estou no escuro n posso guiar ninguém preciso q me guiem n sei o caminho apenas comecei dei um passo sem saber se tinha chão agora n sei se cai ou se estou em pé Comentários: Sexta-feira, Abril 06, 2007
Salomo Friedlaender GRAMOPHONE by Salomo Friedlaender For many years Professor Pschorr had been preoccupied with one of the most interesting problems of film: his ideal was to achieve the optical reproduction of nature, art, and fantasy through a stereoscopic projection apparatus that would place its three-dimensional constructs into space without the aid of a projection screen. Up to this point, film and other forms of photography had been pursued only in one-eyed fashion. Pshorr used stereoscopic double lenses everywhere and, eventually, achieved three-dimensional constructs that were detached from the surface of the projection screen. When he had come that close to his ideal, he approached the Minister of War to lecture him about it. "But my dear Professor," the Minister smiled, "what has your apparatus got to do with our technology of maneuvers and war?" The Professor looked at him with astonishment and imperceptibly shook his inventive head. It was incredible to him that the Minister did not have the foresight to recognize how important that apparatus was destined to become in times of war and peace. "Dear Minister," he insisted, "would you permit me to take some shots of the maneuver so that you can convince yourself of the advantages of my apparatus?" - A couple of weeks after the maneuver, all the generals gathered in open terrain that was in part rolling, mountainous, and wooded, and that contained several large ponds and ravines, slopes, and a couple of villages. "First, dear Minister and honored generals, allow me to tell you that the whole landscape, including or own bodies, appears as nothing but a single, purely optical phantasmagoria. What is purely optical in it I will make disappear by superimposing projections of other things onto it." He variously combined beams of floodlights and switched on a film reel, which began to run. Immediately the terrain transformed: forests became houses, villages became deserts, lakes and ravines became charming meadows; and suddenly one could see bustling military personnel engaged in battle. Of course, as they were stepping or riding into a meadow, they disappeared into a pond or a ravine. Indeed, even the troops themselves were frequently only optical illusions, so that real troops could no longer distinguish them from fake ones, and hence engaged in involuntary deceptions. Artillery lines appeared as pure optical illusions. "Since the possibility exists of combining, precisely and simultaneously, optical with acoustic effects, these visible but untouched cannons can boom as well, making the illusion perfect," said Pschorr. "By the way, this invention is of course also useful for peaceful purposes. From now on, however, it will be very dangerous to distinguish things that are only visible from touchable ones. But life will become all the more interesting for it." Following this he let a bomber squadron appear on the horizon. Well, the bombs were dropped, but they did their terrible damage only for the eye. Strangely enough, the Minister of War in the end decided against purchasing the apparatus. Full of anger, he claimed that war would become an impossibility that way. When the somewhat overly humanistic Pschorr exalted that effect, the Minister erupted: "You cannot turn to the Minister of War to put a dreadful end to war. That falls under the purview of my colleague, the Minister of Culture." As the Minister of Culture prepared to buy the apparatus, his plans were vetoed by the Minister of Finance "Now the film corporation (the largest film trust) helped itself. Ever since this moment, film has become all-powerful in the world, but only through optical means. It is, quite simply, nature once again, in all its visibility and audibility. When a storm is brewing, for example, it is unclear whether this storm is only optically real or a real one through and through. Abnossah Pshorr has been exercising arbitrary technological power over the fata morgana, so that even the Orient fell into confusion when a recent fata morgana produced by solely technical means - conjuring Berlin and Potsdam for desert nomads - was taken for real. Pshorr rents out every desired landscape to innkeepers. Surrounding Kulick's Hotel zur Wehmut these days is the Vierwaldstätter Lake. Herr v. Ohnheim enjoys his purely optical spouse. Mullack the proletarian resides in a purely optical palace, and billionaires protect their castles through their optical conversions into shacks. Not too long ago, a doppelgänger factory was established ... In the not too distant future, there will be whole cities made of light; entirely different constellations not only in the planetarium, but everywhere in nature as well. Pshorr predicts that we will also be able to have technological control over touch in a similar way: not until then will radio traffic with real bodies set in, which not just film but life, and which will leave far behind all traffic technologies (...) Excerpted in Friedrich Kittler, "Gramophone", Film, Typewriter Geoffrey Winthrop-Young and Michael Wutz, trans. (Stanford: Stanford University Press, 1999): pp. 134-5. ABDUCTION by Mynona (Salomo Friedländer) translated by Sheldon Gilman and Robert Levine One house stood next to another. The faithful servants carried out their duties in the outer rooms, and in the sumptuous rooms the wealthy families enjoyed their easy life. Margaret mixed punch. Uncle Emile was chewing white bread with cold pheasant. Grandpa slurped one oyster after another. Then the servant Wilhelm cautiously approached the head of the household, Baron von Bohleke, and politely whispered , "Three men who demand to speak to your honor have driven up outside.""Then bring them into the reception room." "But they are expecting the baron outside in their coach." "What?" the Baron shouted, outraged. "Me! What kind of men are they?¿ ¿They are not of the upper class; they are people more like us." "Where is my horsewhip?" "Here it is, sir." Baron Bohleke went to the gate, where a rented coach stood, with three men sitting in it. They were wearing visored caps and shabby clothing; a bottle was passed from one whiskered mouth to the next. They looked like characters drawn by Zille, and one of them said, in a drunken voice: "If Bohleke doesn't come out, then I'll smash his skull with this bottle. Bohleke stepped close to the coach, snapping the whip against the leg of his pants. "What do you want? And please make it fast. Instead of answering, he was seized by six rough male fists, lifted into the coach, gagged, and the coach sped off, while the horrified servant stared open-mouthed. The three men meanwhile were laughing and drinking. They praised the driver of the coach. Bohleke lay like a package at their feet; he could not move; they had tied him up. After a thirty-minute ride, during which Bohleke made futile attempts to gain a sense of direction, the coach stopped. The three got out. One of them broke Bohleke's whip. The others blindfolded him. He heard the coach drive off, and felt himself being lifted up. From the sounds of the steps he surmised that they were going through basement-like rooms. After a short time they removed the blindfold. "Gus," said a rather rough voice, "get Maria." Gus staggered off. They were in an empty room. Von Bohleke, still somewhat unsteady, put on his bravest face, and was about to kick up a fuss. But each man grabbed one of his arms. One of them put a greasy hand over his mouth, and the other said, "Shut your trap, baron, we got you in our power." They forced him to sit down on a wooden bench and posted themselves gently on each side of him. "O.K., how much," asked von Bohleke, "do you want for my immediate release." "Nah," the one on the right said, "you're stuck here for the next 3 months." "What?" screamed von Bohleke, "Swine! I..." "Cool it or I'll give you a knuckle sandwich." "I demand to know what your intentions are." "Buddy," said the one on the left, "something so good that you'll think you died and went to heaven. Look! Here they are already. I'll let you in on something else: we¿re going to use you as a stud bull." "As a..." however, even before von Bohleke could finish his sentence, Gus was back again. He was accompanied by an old woman with the unmistakable appearance of a procuress. "Look at Maria," Gus said, "doesn't she still have what it takes? Maria," he continued with a sweep of his hand, "this is the well-known playboy, Baron von Bohleke." "Boys,"Maria said seductively, "Leave me alone with the gentleman!" "But, Maria! Maria!" the three warned simultaneously. ¿Maria, what are you going to do?¿ Then they staggered off through a secret door. ¿ Maria sat down next to von Bohleke, and acted submissively: ¿We have here a rather delicate matter, dear Baron. I have in the past seen better days, and I can easily imagine what you must be feeling now.¿ ¿Please don¿t bore me, my good woman! Just tell me how I can put a quick and immediate end to this outrageous audacity?¿ ¿There¿s no way,¿ Maria replied in a friendly manner. ¿You¿ll just have to be patient for three months. That¿s how long we¿re going to keep you prisoner for purposes which I shall now explain to you in greater detail. You should know we have a first-rate organization. It¿s a society for improving the genetic quality of the human race. We abduct aristocratic playboys, and force them, under the threat of death, to make love to carefully chosen girls from the lower classes; best quality goods, Baron. Up to now we have had no need to kill anybody. They were all more than willing to accommodate us.¿ ¿Damn sacrilege,¿ the Baron burst out, ¿that goes beyond the limits of any sense of decency.¿ ¿Come, Baron, why? People of your class, don¿t they generally have amorous impulses? Why wouldn¿t it be better to have a rational system, where there is a mutual attraction between the classes, and from the product of this mutual attraction create a valuable mixture of blood which would benefit the entire nation! We are idealists, Baron. Why this moral indignation? You of all people? Let me add I am from your class. I was, I am a countess. I¿ve come down in the world. I am content with my lot. I¿ve given life to young men who now play important roles in state and society. I¿ve remained as a willing participant in this mission. Furthermore, my good man, you are, first of all, a connoisseur of beautiful girls; and secondly, we would have no qualms about killing you to get you to do what we want. O.K., please, please drop all this prudery!¿ ¿Madness,¿ the poor Baron groaned. He wrenched his fingers until the joints cracked. Maria looked smilingly into a face that was both angry and helpless. ¿Damn it, my good woman, now ¿¿ ¿Please, just call me Maria,¿ the good woman said. ¿ ¿O.K., Damn it, sweetheart (ah, said Maria), I¿m sure we can come to some immediate financial arrangement. You¿re certainly idealists. But undoubtedly your supporting yourself with this kind of blackmail, and not with manna from heaven. Just arrange things as fast as possible, my dear. And there will be a little something extra for you in it!¿ ¿That¿s not what¿s going to happen, Baron. You have correctly surmised that circumstances force us to underwrite our idealism from the pockets of our victims. But, my dear man, let¿s not forget our eugenic aims. As soon as our own doctor has positively established that you are about to become a father several times over, we shall let you go with our blessings. Not a moment before that; you will have to be kept here for the most intimate of human contacts. By the way, I¿m telling you all this not in order to persuade you. We have drastic means, for example, we have torture chambers equipped with the best that money can buy. I¿m only telling you this for your own information. I¿m the receptionist here. To resist, Baron, is ridiculous and, indeed, could have disastrous, unimaginable results. Follow me voluntarily, or I¿ll have to summon some nasty help.¿ Von Bohleke stood up. In the meantime his curiosity had in fact been aroused. Maria walked ahead of him. She stretched out her hand towards a barely visible bell on the white wall, and said, leaning back: ¿You are going to be living here in a more elegant manner than you have ever experienced before. If they cooperate, everyone finds first-rate treatment here.¿ The Baron hesitated, ¿I can¿t conceive that you use force where it would probably be so easy to find great numbers of willing members, given such luxurious conditions.¿ ¿Ha, ha, ha,¿ Maria laughed delightedly, ¿you are splendidly naïve. In order for this secret state to operate with the state undiscovered we need billions, not millions. We need such sums that we couldn¿t expect even a third of that amount in voluntary contributions. Do I need say anymore?¿ ¿How do you get so much money without somebody turning you in?¿ ¿But my dear fellow, who is going to turn us in? The law governing social security is on our side. Doctors, attorneys, yes even high, perhaps the highest officials, are our pensioners. But let¿s suppose, my dear fellow, that the state itself had some secret interest in our remaining undetected, who would be left to stand up against us? You¿ll learn that. We count among our clients a few princes. But that¿s enough. I¿ll leave the rest to your imagination.¿ With these words she pressed the button. Hinges glided open. The painted wall rolled down revealing a Renaissance style bronze portal. On the portal were embossed figures of a proud, athletic man, waited on by young women. A door-knocker was hanging on a ring. Maria struck the ring three times against the door, producing a metallic, gong-like sound. The doors opened inwardly. A servant in black-velvet livery led the way through a wide corridor with overhead lighting into a kind of vestibule with splendid ebony furniture on a red carpet. A wide glass window offered a view of a French park in which a fountain murmured. ¿Bring in the ladies,¿ Maria ordered the servant. Von Bohleke inserted his monocle in his eye. Silk rustled. From a high door opposite the window five girls in white silk veils appeared. Maria said in a commanding voice: ¿You are assigned to this gentleman. I expect that you will obey his orders. Baron, I can see by your expression that you are not displeased. I invite everyone to have a mutually satisfying time.¿ She went off --- One house stands next to another. The faithful servants carried out their duties in the outer rooms, and in the sumptuous rooms the wealthy families enjoyed their easy life. Uncle Emil, however, was no longer happy. He was alone in his sadness, chewing on his partridge. Now and then a tear fell into his wine glass. Melancholy, Grandpa was slurping His oysters. Margaret was singing at the piano; ¿Who has never eaten his bread with tears.¿ ¿ The servant Wilhem came into the room carefully: ¿Your excellencies, a hired coach has stopped in front of the house, and I believe the Baron is in it. Grandpa¿s oyster dropped on his shirt. Maria choked on the second line of the song. Uncle Emil got up, trembled, and heaved a deep sigh, choking on the last bit in his mouth. Von Bohleke stepped into the room. ¿God, you look radiant!¿ ¿A little vacation,¿ he said jovially. ¿Was in Paraguay. Excellent food. Terrible mail service. Forgive this surprise.¿ Grandpa asked: ¿Kammilo, are you o.k.? We had paranoia in a branch of our family.¿ ¿ ¿More than alright, Grandfather!¿ He embraced Margaret searchingly. Ah, she found him so strangely passionate. Uncle Emil wiped his mouth and eyes. The servant Wilhelm was instructed to go to the Deutsche Bank. ¿ For sometime now people have displayed a fresh vitality. Everywhere there are dynamic aristocratic gentlemen, who are affable even to the most humble. What is the explanation? Maria, Gus, and von Bohleke, among others, know why, but remain silent: they silently receive large sums of money, and everything is going well; and almost every playboy longingly remembers his abduction. 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